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Alvor,a terra e a ria

Alvor,a terra e a ria

10
Jan22

Os caminhos da água

Joaquim Morais

 

 

Brotam no silêncio austero

dos íngremes recantos da terra,

e em cada gota trazem a imensidão e o azul.

Soletram as pedras que dizem do seu norte,

e navegam rasteiras estrelas,

até que o mar os tome, e nos canteiros do sol

acendam os humores do vento.

Voltarão na suspensa leveza das alturas,

esperando que a harpa da chuva

execute a música do tempo.

14
Dez21

Talvez poesia

Joaquim Morais

 

 

 

 

 

no princípio era o silêncio

e as palavras diziam

seu gesto e seu rumor

 

 

 

palavras novas

 

dos poetas chega a notícia

das palavras novas.

Palavras que ousam o lado invisível

da respiração do mundo,

e nos trazem o en(canto)

da sua perfumada estranheza.

 

 

 

O verso que nos cabe

 

quando às vezes decidimos a quietude,

e tudo repousa no olhar,

ouvimos a música.

Talvez traga com ela

o verso que nos cabe.

 

 

 

Vagaroso reparo

 

Sufoca-nos o brilho redundante,

enquanto na leira dos detalhes,

se perde a colheita do vagaroso reparo.

A safra dirá dos brandos sobressaltos

das coisas furtivas,

e das sóbrias palavras que suscitam.

 

 

 

A árvore e o vento

 

Já que a raiz não lhe consente,

pede ao vento

que respire seus perfumes na lonjura.

Que leve a sua primavera

até onde o ar permita,

e em cada sopro diga

de sua formosura.

 

 

 

Roseiras

 

Mostram ao mundo

a cor e o perfume,

e quando o gesto se atreve,

o desencanto da inesperada dor.

Será que a graça

cobra mágoas pelo amor.

 

 

 

Rotas infindáveis

 

O poema irá para onde o levar

a deriva das suas infindáveis rotas.

Conduzem-no os vislumbres do trajecto

e a aleatória rosa do seu leme.

 

 

10
Jul21

Um olhar sobre o olhar

Joaquim Morais

                                

 

                              

                                 Olhares diversos,

que vagueiam pelo mundo,

olhares bondosos, olhares perversos,

olhares que tocam ao de leve,

olhares que veem mais profundo.

 

                                 Olhares irrequietos,

que se movem agitados,

olhares atentos, circunspectos,

olhares serenos, olhares meigos,

olhares pacientes, resignados.

 

Olhares matreiros,

que observam com malícia,

olhares discretos, sorrateiros,

olhares intensos,

olhares que veem com argúcia.

 

Olhares vivos,

que faíscam de brilhantes,

olhares soberbos, altivos,

olhares sinceros e risonhos,

olhares finos, penetrantes.

 

Olhares frios,

que se quedam enigmáticos,

olhares que causam arrepios,

olhares místicos,

olhares tristes e apáticos.

 

Olhares que choram,

que derramam pelo rosto,

olhares que imploram,

olhares de medo,

olhares de raiva e de desgosto.

 

Olhares que fitam,

que traduzem a repulsa e o enfado,

olhares que irritam,

olhares que miram e remiram,

olhares que trazem mau olhado.

 

Olhares baços,

olhares que olham apagados,

olhares que tropeçam nos seus passos,

olhares que não se cumprem,

e buscam a vida sombreados,

 

Olhares que exprimem,

que retratam alegrias e misérias,

olhares que afrontam e que temem,

que se baixam humilhados nas derrotas,

e se erguem arrogantes nas vitórias

 

 

 

 

 

 

 

 

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