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Alvor,a terra e a ria

Alvor,a terra e a ria

14
Dez21

Talvez poesia

Joaquim Morais

 

 

 

 

 

no princípio era o silêncio

e as palavras diziam

seu gesto e seu rumor

 

 

 

palavras novas

 

dos poetas chega a notícia

das palavras novas.

Palavras que ousam o lado invisível

da respiração do mundo,

e nos trazem o en(canto)

da sua perfumada estranheza.

 

 

 

O verso que nos cabe

 

quando às vezes decidimos a quietude,

e tudo repousa no olhar,

ouvimos a música.

Talvez traga com ela

o verso que nos cabe.

 

 

 

Vagaroso reparo

 

Sufoca-nos o brilho redundante,

enquanto na leira dos detalhes,

se perde a colheita do vagaroso reparo.

A safra dirá dos brandos sobressaltos

das coisas furtivas,

e das sóbrias palavras que suscitam.

 

 

 

A árvore e o vento

 

Já que a raiz não lhe consente,

pede ao vento

que respire seus perfumes na lonjura.

Que leve a sua primavera

até onde o ar permita,

e em cada sopro diga

de sua formosura.

 

 

 

Roseiras

 

Mostram ao mundo

a cor e o perfume,

e quando o gesto se atreve,

o desencanto da inesperada dor.

Será que a graça

cobra mágoas pelo amor.

 

 

 

Rotas infindáveis

 

O poema irá para onde o levar

a deriva das suas infindáveis rotas.

Conduzem-no os vislumbres do trajecto

e a aleatória rosa do seu leme.

 

 

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