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Alvor,a terra e a ria

Alvor,a terra e a ria

20
Ago20

Do berço à ria e ao mar

Joaquim Morais

 

 

 

Desígnio natural                                           

 

Do seio de serranias verdejantes,

sentinelas do Algarve ocidental,

nascem marcadas por destino igual ,

as ribeiras de sonhos mareantes.

 

Dependentes do físico preceito.

que define o rumo e o roteiro.

seguem o curso alegre e prazenteiro

que as estações modelam a seu jeito.

 

Passam do berço serrano ao barrocal,

e daí para o mar em correria;

não sem que antes em edénico local,

 

confluam em singela parceria,

onde geram por desígnio natural,

de entre todas a mais formosa ria.

 

 

 

Ria dos espelhos de água

 

ria de águas fecundas,

de correntes e remansos,

de pegos, de baixios,

de veias mui generosas;

de preia-mares galopantes,

que extravasam transbordantes

nas areias sequiosas.

 

Ria dos espelhos de água

que a calmaria pintou.

Neles se miram gaivotas;

e os barcos ancorados

que as amarras trazem presos,

quedam-se imóveis, surpresos,

ao verem-se retratados.

 

Ria dos radiosos nascentes,

silenciosos e brandos,

em que murmuram marés

borbulhando na areia;

soltam o riso gaivotas,

grasnando o peixe nas lotas,

trazido pela maré cheia.

 

Ria dos regatos lamacentos

entre marismas rasgados,

onde bandos de meninos

a chafurdar a nudez,

corriam guinchando a vida,

nunca antes tão sentida

como assim daquela vez.

 

 

 

A magia das velas

 

Cascos alados ao vento

sobre as águas deslizando

num suave movimento,

a marejar um lamento

das águas que vão sulcando.

 

Fecundadas pelo vento

no leito fofo das águas,

vão gerando movimento,

suave deslumbramento,

onde se afundam as mágoas.

 

Velas brancas alinhadas.

Gaivotas de maresia.

Velas pandas, enfunadas,

no céu azul recortadas,

são um toque de magia.

 

As asas brancas caíram

aos barcos da minha ria.

Ventos amigos vieram,

perguntar o que fizeram

às velas do outro dia.

 

 

 

Areais de arminho

 

Areais de arminho aveludado,

a que se rendem procelas e marés;

e as vagas se convertem a seus pés

na terna mansidão dos derrotados.

 

Oceânica bacia prateada.

Cintura delicada e cristalina.

Remate que Neptuno só destina,

p´ra casos d´eleição ou nomeada.

 

Palco imenso duma luz que extasia.

Reverberante, intensa e singular;

que o sol festivo derrama pelo dia,

 

e à noite, a fantasia do luar,

serena, mística, sulcos de harmonia,

vai na mansidão das águas desenhar.

 

 

 

 

 

 

 

 

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